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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

CARTA ENCÍCLICA: DEUS CARITAS EST

I PARTE
A UNIDADE DO AMOR
NA CRIAÇÃO
E NA HISTÓRIA DA SALVAÇÃO
Santo Padre Papa Bento XVI
(Grupo de estudo Fides et Ratio)


Um problema de linguagem
2. O amor de Deus por nós é questão fundamental para a vida e coloca questões decisivas sobre quem é Deus e quem somos nós. A tal propósito, o primeiro obstáculo que encontramos é um problema de linguagem. O termo « amor » tornou-se hoje uma das palavras mais usadas e mesmo abusadas, à qual associamos significados completamente diferentes. Embora o tema desta Encíclica se concentre sobre a questão da compreensão e da prática do amor na Sagrada Escritura e na Tradição da Igreja, não podemos prescindir pura e simplesmente do significado que esta palavra tem nas várias culturas e na linguagem actual.
Em primeiro lugar, recordemos o vasto campo semântico da palavra « amor »: fala-se de amor da pátria, amor à profissão, amor entre amigos, amor ao trabalho, amor entre pais e filhos, entre irmãos e familiares, amor ao próximo e amor a Deus. Em toda esta gama de significados, porém, o amor entre o homem e a mulher, no qual concorrem indivisivelmente corpo e alma e se abre ao ser humano uma promessa de felicidade que parece irresistível, sobressai como arquétipo de amor por excelência, de tal modo que, comparados com ele, à primeira vista todos os demais tipos de amor se ofuscam. Surge então a questão: todas estas formas de amor no fim de contas unificam-se sendo o amor, apesar de toda a diversidade das suas manifestações, em última instância um só, ou, ao contrário, utilizamos uma mesma palavra para indicar realidades totalmente diferentes?

« Eros » e « agape » – diferença e unidade
3. Ao amor entre homem e mulher, que não nasce da inteligência e da vontade mas de certa forma impõe-se ao ser humano, a Grécia antiga deu o nome de eros. Diga-se desde já que o Antigo Testamento grego usa só duas vezes a palavra eros, enquanto o Novo Testamento nunca a usa: das três palavras gregas relacionadas com o amor — erosphilia (amor de amizade) e agape — os escritos neo-testamentários privilegiam a última, que, na linguagem grega, era quase posta de lado. Quanto ao amor de amizade (philia), este é retomado com um significado mais profundo noEvangelho de João para exprimir a relação entre Jesus e os seus discípulos. A marginalização da palavra eros, juntamente com a nova visão do amor que se exprime através da palavra agape, denota sem dúvida, na novidade do cristianismo, algo de essencial e próprio relativamente à compreensão do amor. Na crítica ao cristianismo que se foi desenvolvendo com radicalismo crescente a partir do iluminismo, esta novidade foi avaliada de forma absolutamente negativa. Segundo Friedrich Nietzsche, o cristianismo teria dado veneno a beber ao eros, que, embora não tivesse morrido, daí teria recebido o impulso para degenerar em vício. [1] Este filósofo alemão exprimia assim uma sensação muito generalizada: com os seus mandamentos e proibições, a Igreja não nos torna porventura amarga a coisa mais bela da vida? Porventura não assinala ela proibições precisamente onde a alegria, preparada para nós pelo Criador, nos oferece uma felicidade que nos faz pressentir algo do Divino?

4. Mas, será mesmo assim? O cristianismo destruiu verdadeiramente o eros? Vejamos o mundo pré-cristão. Os gregos — aliás de forma análoga a outras culturas — viram no eros sobretudo o inebriamento, a subjugação da razão por parte duma « loucura divina » que arranca o homem das limitações da sua existência e, neste estado de transtorno por uma força divina, faz-lhe experimentar a mais alta beatitude. Deste modo, todas as outras forças quer no céu quer na terra resultam de importância secundária: « Omnia vincit amor — o amor tudo vence », afirma Virgílio nas Bucólicas e acrescenta: « et nos cedamus amori — rendamo-nos também nós ao amor ». [2]Nas religiões, esta posição traduziu-se nos cultos da fertilidade, aos quais pertence a prostituição « sagrada » que prosperava em muitos templos. O eros foi, pois, celebrado como força divina, como comunhão com o Divino.

A esta forma de religião, que contrasta como uma fortíssima tentação com a fé no único Deus, o Antigo Testamento opôs-se com a maior firmeza, combatendo-a como perversão da religiosidade. Ao fazê-lo, porém, não rejeitou de modo algum o eros enquanto tal, mas declarou guerra à sua subversão devastadora, porque a falsa divinização do eros, como aí se verifica, priva-o da sua dignidade, desumaniza-o. De facto, no templo, as prostitutas, que devem dar o inebriamento do Divino, não são tratadas como seres humanos e pessoas, mas servem apenas como instrumentos para suscitar a « loucura divina »: na realidade, não são deusas, mas pessoas humanas de quem se abusa. Por isso, o eros inebriante e descontrolado não é subida, « êxtase » até ao Divino, mas queda, degradação do homem. Fica assim claro que o eros necessita de disciplina, de purificação para dar ao homem, não o prazer de um instante, mas uma certa amostra do vértice da existência, daquela beatitude para que tende todo o nosso ser...

(CARTA ENCÍCLICA DEUS CARITAS EST  DO SUMO PONTÍFICE BENTO XVI AOS BISPOS AOS PRESBÍTEROS E AOS DIÁCONOS ÀS PESSOAS CONSAGRADAS E A TODOS OS FIÉIS LEIGOS SOBRE O AMOR CRISTÃO)

sábado, 8 de janeiro de 2011

OUVIR O PAPA

Papa Bento XVI
Papa João Paulo II
      Papa, quer dizer papai, vem do grego. Foi o jeito carinhoso de os fiéis chamarem o Bispo líder dos Bispos. Porque é isso que o Papa é. O Bispo líder. Por isso, o pai espiritual mais querido.
Na Igreja Católica, O Bispo de Roma é a maior autoridade da Igreja. Os Bispos não devem obediência uns aos outros, mas todos devem obediência ao Bispo de Roma.
É para isso que o escolheram. Para que seja, como Pedro, líder dos líderes.
Para os Católicos, aqui neste mundo, a última palavra deve ser a dele.
Ele não é infalível em tudo. É humano como nós. É santo e pecador.
E houve papas que erraram muito. Mas a maioria teve vida santa.

A Igreja não idolatra o Papa. Respeita sua liderança e sua palavra.

      Todas as religiões têm seus gurus e seus líderes queridos e venerados.
Para seus admiradores, a palavra deles tem peso.
Para os Católicos a do Papa tem o peso da Igreja Católica, porque ele não tira suas idéias de qualquer repente. Ouve, manda estudar, consulta outros Bispos, e só depois se pronuncia.
Pode haver casos em que a decisão está apenas com ele.
Padre Zezinho, scj
Ninguém pede para ser Papa. É responsabilidade enorme pastorear mais de um bilhão de fiéis.
É escolhido por cardeais que representam a Igreja como num parlamento.
Como é impossível para os fiéis do mundo votarem, já que os fiéis mal conhecem seu próprio Bispo, então este direito e poder é delegado a Bispos e Cardeais que se conhecem melhor.
O eleito assume quase sempre por obediência.
E é vida dura, reclusa, cercada  de deveres e compromissos. Ele não mais se pertence.
Precisa muito de nosso carinho e de nossas orações. Porque criticar o Papa é muito fácil.
É o que muito gente faz. Discordar dele com ternura e amor, obedecer-lhe mesmo quando não concordamos, exige fé e caridade.

       Nunca foi fácil ser Católico. Hoje em dia está ainda mais difícil.
Nunca foi fácil ser Papa. Continua difícil.
Os tempos mudaram. Os Católicos também.
Mas, se querem ser Católicos, precisamos ouvir o Papa. 
Se pudéssemos consultar diretamente a Jesus Cristo e se ele todo o dia aparecesse para nos falar, não precisaríamos ouvir seus apóstolos, nem os sucessores deles.
Mas a Igreja é isto: continuação.
Um dos sinais de que alguém é de uma Igreja, é que aceita sua liderança.
Se cria a sua própria idéia ou seu próprio grupo que faz o que bem entende, então já fundou outra Igreja, ou uma igrejinha dentro da Igreja.
Ouça o Papa, mesmo que discorde dele! Reze por ele!
Se fizer; provavelmente será mais Católico do que é agora.
Quer queira, quer não, nossa Igreja precisa dele.

       Se cremos no evangelho há nele uma passagem que assim reza:
E eu te digo que és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus. Tudo o que ligares na terra será ligado no Céu, e tudo o que desligares na terra será desligado no Céu.
Não há o que conversar, se o Católico não aceita esta passagem. Também não aceitará outras. Se aceita a Bíblia Católica, aceitará o Papa.
Se não aceitar o Papa, preferirá interpretações outras.
Estou supondo que você ainda seja ou queira permanecer Católico.
Neste caso entre para o grupo dos que gostam do Papa.
Discorde dele se acha que deve, mas ouça-o e repeite-o.
Ele fala pela Igreja. Nós lhe demos este direito.
Alguém tem de nos liderar em nome de Jesus.
Você talvez não precise disso.
Os Católicos precisam, exatamente por que são CATÓLICOS!

fonte: Capítulo V do Livro: CLARO COMO A LUZ DO DIA (Subsídios para uma catequese em família-2). Autor: Padre José Fernandes de Oliveira (Pe. Zezinho, scj).